quarta-feira, 14 de setembro de 2011

[Em pouco tempo, ou não…] I – O Espantalho


     O Espantalho

     Ninguém preza e/ou ama o espantalho, o espanta-pardais. Ele cumpre a sua função, sem vida, e nada mais. Sem vida?

     No tempo da solidão, sou só eu. Grande, maior, e forte e pequeno, menor, e fraco. Posso ser a poesia, antiga ou reinventada. Posso escrever, e leio, estórias e outras histórias. Posso ficcionar, viajar e ser genuíno, sem deixar de ser. Posso espelhar ou absorver a realidade. Mas a realidade parece depender do ponto de vista, da perspectiva. Seria muito mais fácil e muito mais simples se a realidade se apresentasse sempre como é. A realidade deveria ser e mais nada.

     Admiro os palhaços! Por vezes sinto-me um ou como um palhaço, tenho que mostrar e demonstrar felicidade e só na solidão posso ser Eu. Não que me mascare, no tempo que sobeja para o convívio, e, embora goste de brincar e das palhaçadas, apenas tenho que sorrir e ajudar os outros a sorrir para viver bem em sociedade. Porque, poucos gostam da conversa pura, sem melindres e a escrita não completa, nem contém, a expressividade do rosto, a riqueza do, ou de um, olhar. Mas não sigo o rebanho, nem fico preso à estaca. Não me agremio num conjunto de acções dos Espantalhos e suas consequências, só porque é moda.

     Ainda que num gesto que me garante a reprovação dos meus pares, de braços abertos vos recebo, preservem-me a dignidade. Não me furtem o recheio, nem insistam na tentativa de me rechear com o que bem entendem, se bem me entendem.

     Que importa o nome ou a etiqueta?

  

1 comentário:

  1. O nome ou a etiqueta não importa nada, pelo menos para quem é fiel a si mesmo,chega a uma altura que tudo parece fútil,as conversas, a forma de se agir de pensar ou não pensar pois parece que todos vão pelo mesmo caminho da fascinação encomendada,aí só resta o murmurio mar para limpar as incertezas
    beijinhos

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