terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Grande plano


Parecem-me sonhos, os sonhos que aparecem. 
A ria conhece bem a minha proximidade, a minha sombra, 
a minha parte mais solitária, o meu ponto de partida. 
Procura-me um trilho no rosto, na indecisão da noite; 
uma entrada para o poema, num, ainda que breve, brilho 
de luz, que indique uma passagem, que pode ser uma saída. 

As imagens e as palavras estão cansadas, assim como eu, 
também. Tudo conflui para um silêncio condescendente. 
Talvez seja sol de outono em excesso; talvez possa fazer 
da pele as minhas palavras e imagens descansadas, ao toque 
calmo das mãos do vento, que invoca sensações distintas. 
Os sonhos procuram que os veja para prosseguirem em paz. 
A lua detém-se. Há estrelas reflectidas nos meus olhos. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Mais um belíssimo poema em jeito de homenagem à tua inspiradora cidade... que adorei!
    Beijinhos
    Ana

    ResponderEliminar