segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ontem, guardei palavras num bolso


Lembras-te? Ainda te lembras de mim? Não digas nada. 
Se te quiseres recordar, toca com os teus olhos nos versos, 
naquilo que sou e não sou das palavras que dizem e não dizem 
de mim. Se calhar, dizem e sabem o suficiente para chegares 
a mim. Mas, as palavras não dizem tudo; nem sabem tudo. 
E eu, também não sei tudo. Nem tenho todas as respostas, 
nem todas as perguntas; nem teria lugar ou desejo para todas. 

E se eu não souber quem tu és? Caberemos um no outro, 
ainda assim, num qualquer canto incerto da página? 
Talvez o bolso que nos guarda não nos perca, ou perca 
devagar. Devagar o suficiente para nos encontrarmos 
com tempo para dizer as palavras que não levam tudo, 
que não deixam tudo; que não dizem tudo o que temos 
para dizer, quando se encontram dois corpos que se amam. 

Ontem, guardei palavras num bolso. Palavras que, palavra, 
não mais encontrei. Eu perco coisas e pessoas que guardo. 
Mesmo quando as guardo dentro de mim, com mil cuidados. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Só te digo... que tens de arranjar mais bolsos!... :-) Para que palavras assim, nunca se percam...
    Adorei o poema!!!!
    Beijinhos
    Ana

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