domingo, 16 de março de 2014

urbe V





a cidade dorme em mim e eu disperso 
o cheiro a lavado das escadas e patamares 
já se esvaeceu e ficaram os sorrisos 
tímidos na orla do abismo enfadado 
ecoa distante o latir de um cão fatigado 
de tragar razões maldições e universos 
e que reúne a noite nas sobras do dia 
e de poemas antigos mas ainda quentes 
onde a fantasia se realiza sem existência 
e a existência é ténue e mera fantasia 
mas com estrelas que cintilam paciência 
apenas a que é possível ver ou adivinhar 
entre os brilhos da cidade em reverso 
há partes de mim nas asas de uma borboleta 
onde sou um ponto de partida e de chegada 
a estação que é mais do que uma referência 
onde brincam os poemas e as alusões verdes 
em nuvens de um céu que tem alamedas 
de paradigmas azuis e sonhos púrpura 
com palavras brancas e insuficientes 
para traduzir o verbo amar resgatado 




1 comentário:

  1. Tantas coisas em uma cidade!... Sorrisos, pensamentos, imagens que a gente vai colhendo e colocando nas linhas do poema.
    Bom dia, Henrique. Lindo poema.

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