sábado, 7 de janeiro de 2012

Serra


Num presságio de tempo, os cúmulos distintos, tingidos
Pelo resquício luminoso de cor púrpura, irradiado
Por um Sol já ausente, exageram o espectro derrotado
E arremeto para de novo retroceder sobre a colina dos vencidos.

Augura, num murmúrio, um conjunto de rochas de sentidos,
Que não me recorda, e espalha alguma glória no vento irado,
Frio, que me instiga, e acaricia as pedras parideiras do lado.
Insurrectas e zombeteiras, espalham amores de mouros perdidos.

Numa medida esquecida, a apoteose dos relevos naturais,
Embora profanados pelas reentrâncias inscritas,
Designam e chamam trilhos de outras naturezas e de outras desditas.

Apontam-me, na partida, listelos de exilados dos natais
Que no seio do céu escuro tentam encontrar instruções teatrais.
Adivinha-se o rocio. A cascata sussurra que já não quer mais visitas.

3 comentários:

  1. A beleza das tuas palavras e "quadros" que vai desfiando sentimento e contradição, sofrimento e ironia...E uma ponta de nostalgia e resignação (será que interpretei bem?) faz-me ficar...Ler! reler. Não só para parar e entender. Reler para perceber melhor e pensar sobre... Henrique!!! É belo. Tudo o que escreves. Fico sinceramente embevecida e emocionada e por vezes rio e quase choro contigo. Um dom como só os verdadeiros mestres possuem...Sou grata de te conhecer. Embelezas a nossa vida amigo e fica mais rica. Beijo grande. Obrigada por tudo!

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  2. Eu é que agradeço, Noctívaga!
    Compreendeste, sim, o sentimento, a contradição, o sofrimento, a ironia, a nostalgia, a resignação...
    Um forte abraço e beijinho.

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  3. Um passo em frente, um passo atrás. Parar, mesmo quando se sente que se anda.
    Retomar o passo, em frente... sempre em frente.

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