sexta-feira, 6 de julho de 2012

Linhas


Hoje avancei no dia,
Sem fantasia,
Sem a menor oposição,
Sem exaltação.
Dia que fugiu de mim, sem sombra,
Sombra que ficou para trás.
Sinto o seu frio  
E um leito vazio.

Hoje avancei no dia,
Num local de infância,
Onde os risos eram de alegria,
Onde ainda sinto a fragrância,
De um dia sem treva,
Treva que se difunde,
E senti o abrigo derramado,
Líquido e inopinado.

Hoje avancei no dia,
O que se passa,
Onde passas.
Nunca dependeu do fim
Da praça,
Nem das traças;
Nem tão pouco do querubim.

Hoje avancei no dia,
A ribeira despertou um corpo inato,
Testemunho de trato.
A erva já foi mais verde e luzidia,
O brilho já foi mais brilhante
E o protesto... O protesto, que protesta, é protestante
E não tem qualquer significado ou serventia.

Hoje avancei no dia.
Se para avançar recuo,
Te amo, digo, e se apaga;
Não o sendo, é uma utopia;
Não o fazendo, é um amuo.
O mar acorda e eu sou vaga;
E vago pela praia,
Na areia de todos. Cobaia.

Hoje avancei no dia,
Sem força para procurar o arco-íris no horizonte;
Sem palavra que conte.
A nascente, a ribeira, o rio, a ria,
Adormeceram com o que mais importa,
Sou parte dessa natureza morta.


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