sexta-feira, 20 de julho de 2012

O subúrbio da vontade


Hoje acordei com vontade de ladrar
Não me atormenta o arbítrio
Não me preocupa a interpretação
Não há insensatez e imprudência
Há um despertar de firmeza

Ouço o dobrar a finados
De uns sinos gastos e desafinados
Um automóvel que buzina
E quero uivar e ser serrazina

Hoje acordei com vontade de ladrar
E de saltar a tapada
De perseguir aquele gato anafado
Que se exibe com indolência
E que mia fantasias

O latido está à espreita
Numa naturalidade que se enjeita
Por força de um demorado bocejo
Que extingue o longo ensejo

Hoje acordei com vontade de ladrar
E de rosnar
Não me intimida a dor
Não me importa o comentário
Só não ladro para não acordar os vizinhos


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