quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

um poema que quer voar e tombar extenuado



passeio pelas minhas palavras e silêncios
em silêncios e palavras que me fogem
não encontro os versos bonitinhos
com brocados ou cornucópias
ou que falem de flores puras
de arbustos imaculados
de querubins rosados
de cânticos felizes
de afecto perene
do absoluto
nada

não encontro os versos luxuriantes suspirados
que gemem baixinho por prazer com prazer
com suspiros providos de clarividência
de toque lânguido e olhares lascivos
vejo as mesmas palavras rigorosas
em versos de ar desgrenhados
sem oportunidade para florir
sem tempo para encantar
embora autênticos
desabrochados
de pé

as aparências saltam das molduras
para assistir ao propósito insólito
quando os versos em união implícita
se preparam para atravessar a rua
agrupam poemas para serem um só
sociabilizam as palavras indomadas
para serem eles o todo deste vazio



5 comentários:

  1. Tens um jeito forte e intenso de escrever... e isso basta...

    Entao gosta de Yann Tiersen? essa é a que mais gosto "Comptine d'un autre été L'après-midi"... acho-o fabuloso...

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  2. um poema (teu) nunca cairá no vazio.
    intenso e bem construído.
    beijo

    :)

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  3. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita
    Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
    Sou António Batalha.

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  4. Talvez sintas o vazio, que a poesia, de qualquer forma, irá preencher e preenche.
    Adorei o poema, Henrique, pelo todo, que é tudo, e destaco o ritmo/cadência, a gradação e os sentimentos que deambulam.
    Bjks

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  5. belo e intenso poema. gostei muito. um abraço.

    http://umanjotriste.blogspot.com.br/

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