quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Aprendizagem


Uma flauta chama por mim, ao longe. Tão longe, 
a melodia e a cena pungente dos abraços e dos beijos. 
Os morcegos estudam piruetas e segredam-me 
que é tarde. É tarde, a noite conquistou o seu espaço, 
o seu tempo, a sua imagem de noite; avolumou as sombras, 
que, com a sua natural avidez, tragam a cidade, que é, 
agora, apenas, um ideal de cidade, onde sou um ideal de mim. 
O ar frio, que me puxa, cheira a ar queimado e as raízes 
iluminam-se, confirmando a minha suspeita: não é o mundo, 
sou eu que ando ao contrário e piso um céu que, se calhar, não existe. 


 [massivo]



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