quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Plantas



– Não prometo nada! – E dito isto, a árvore prosseguiu o seu caminho, 
fincando as raízes na terra, na sua imobilidade relativa, abstracta 
e garbosa. Estendendo os ramos na densidade curvilínea do ar, 
à procura da aurora do outro lado do mundo. As árvores também 
se amam, assim como todos os seres vivos do reino vegetal. Eles 
também inventaram o amor, em todas as suas formas e à sua medida. 
Faz-te aqui e em mim, seremos duas árvores de amor perene 
nestas horas caducas que voam com o vento, ou para termos um 
amor caduco em horas perenes, mas sem nos prometermos nada. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Sim... as árvores são a pura essência do amor... adensam-se... entrelaçam-se... afirmam-se e agarram-se fortes... e acima de tudo... trazem uma Primavera em si mesmas... inspirando-as a jamais acabar...
    Como sempre... uma escrita belíssima, Henrique!
    Adorei o poema!
    Beijinhos
    Ana

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