segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Massivo


Brotam, essencialmente, à noite, junto aos bebedouros 
dentro de portas. Florescem praticamente todas as noites 
e o desflorescimento ocorre com a chegada da manhã. 
Por vezes, titubeiam insones e lamuriosos; vacilam factos 
e palavras; gemem uma angústia fermentada e convulsa 
de afectos demolidos, que os distancia da esperança 
ou lhes confere uma esperança ébria e comprometida. 
Mas, nem sempre é assim, no relativo etílico reflectido. 
Conheço esses caminhos do amor, para além do olhar 
químico, filosófico ou emotivo, mas não vou por aí. 
Rumo noutro sentido, procuro outra vertente do céu; 
a companhia de uma estrela; o murmúrio líquido 
e nocturno da lua, da ria, das árvores, das ervas, 
que se transforma numa frágil, mas terna, melodia. 
As palavras orbitam e rodopiam em torno deste som. 
Tenho a cidade cravada nas costas. Talvez nunca perca 
o teu rosto absoluto e concreto, a sua imagem, na distância 
das paisagens da memória. Mas, quem és tu? 


 [massivo]

2 comentários:

  1. OI HENRIQUE!
    VIM CONHECER TEU ESPAÇO, GOSTEI E JÁ ESTOU TE SEGUINDO.
    ABRÇS

    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  2. podemos sempre escolher o caminho, aquele que dá tranquilidade, mas nunca caminhamos sozinhos quando sabemos escutar o sol das estrelas e sentir a essência da lua, bjs

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