segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Criação



Tudo o que escrevo é intencional. Bom, quase tudo, 
e a intencionalidade não se transforma em biografia. 
Por vezes, num estado febril, na ebulição da escrita, 
num rasurar, excluir, refazer, apressar… aparece um erro. 
E o erro pode ter vários tamanhos e ser mais ou menos 
fatal. Caem-me algumas penas e, embora fique envergonhado, 
não escondo o bico debaixo de uma qualquer asa de ocasião. 
Para além disso, tudo é intencional, mesmo os títulos mais parvos, 
os restos de sentimentos, os rostos sem nome, as imagens, 
a estridência da insanidade… o gosto, discutível… o amor… Mas, 
é claro que não inventei, propriamente, o amor, embora tenha criado 
um poema que o inventou. Sei, agora, que já outros o inventaram, 
rigorosamente, com palavras; com actos mais interessantes; 
com outros engastes. E aquele, embora meu, embora seja, 
para além da descoberta e do encontro, não é uma invenção. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Realmente o amor não é uma invenção... mas para que não se corra o risco de que acabe... às vezes precisa de ser reinventado...
    Mais uma lindíssima criação tua... num misto de confissão... revelando a sinceridade no que escreves...
    Beijinhos! Boa semana!
    Ana

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