quarta-feira, 11 de junho de 2014

urbe XXXVI




deambulei em mim repisando caminhos 
que reconheço dos rascunhos de versos 
e de fotografias repetidas mentalmente 
há um lugar que sinto meu e onde gosto 
de ficar e deixar o tempo à sua mercê 
onde sem querer ouvir a cidade a guardo 
em mim para que o vento me deixe escrever 
perdidamente onde nada é assim tão raso 
tão líquido e tão aparente que não se logre 
não sei quando nem como deixou de haver 
luz e ganhei vizinhos para o jantar de razões 
e de sentenças prefabricadas de outro lugar 
talvez a luz como a sombra tenha espaços 
rotos onde o poeta transfigura eternamente 



1 comentário:

  1. Olá, Henrique!
    Um poema fantástico e belíssima fotografia!
    Há lugares que nos apaziguam. E essa imagem de luz e sombra com espaços rotos, é fascinante!
    Tem um bom dia!

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