segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

a tempestade




começa sem medo das imagens em reflexo
é provável que a nostalgia bata à janela com o vento
que a lembrança afague ou tome de assalto
bem no seio da noite cerrada e em tormenta

povoada por sons incomuns e circundantes
na mesma cadência da luz tiritante da vela
que projecta os corpos em sombras indecisas e imprecisas
num contínuo desafio com odor a combustão

e um fechar de olhos que prova a energia que nos une
e aparenta oscilar ao sabor das rajadas de vento
vento que faz parte do todo que nos agrega e dispersa

tudo é tão próximo e tudo se assemelha ao termo
tudo é mais leve ao sabor do vento e mais pesado na queda
o mundo desamparado fica ainda mais distante




3 comentários:

  1. "Tudo é mais leve ao sabor do vento e mais pesado na queda..." marcante, lindo!

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  2. A tempestade lava, limpa... e quando o vento sopra tudo fica mais leve...

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  3. A tempestade! E o quanto dela estará em nós...
    Belas imagens, a que ornamenta e as contidas no poema!
    Bjks

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