domingo, 23 de fevereiro de 2014

enquanto me apagavas





existiu um momento em que cedi ao corpo cansado
em que me deitei com vontade de adormecer
com esse desejo fundado em necessidade e premência
com uma esperança alicerçada em probabilidades

e fiquei estendido na cama com os sentidos dormentes
dormiam as luzes, as cores, as vozes, os sons em geral
dormiam os odores, os sabores, os tactos, as sensibilidades
adormeceram os sonhos, as palavras e a cama

as aves nocturnas dormiram, toda a cidade adormeceu
dormitou a própria noite, a água, o ar, por uns instantes
assim como a madrugada cheia de saudade e consciência

dormiram as horas em relógios adormecidos
o meu corpo ficou inteiramente entorpecido
ainda está, só eu não dormi




4 comentários:

  1. escreves muito bem, mas este foi o melhor soneto que li de tua autoria.

    belíssimo.

    também gostei muito da foto.

    boa semana

    :)

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  2. Todos os sentidos ativados enquanto leio_ diferentemente do entorpecimento do 'enquanto me apagavas',
    surpreendente como consegues harmonizar as palavras ,poetizando-as,
    abraços Henrique, achei linda!

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  3. A intencionalidade do que vai adormecendo enquanto tu não dormes. O que, à partida, parece um assunto banal, comum... cativa e envolve! Tem uma mensagem! Desperta e apela!
    Gosto, gosto!
    Bjks

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