sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ancoradouro


aveiro
aveiro | portugal


a noite, também a noite, projecta
o frémito indolente das águas.
por vezes, uma onda nua embate
no desejo concentrado do barco
sujeito à tensão da amarra adormecida.
ouve-se o canto da nudez pulsante
e o barco balança, vacila na dança,
sujeito, mas não imóvel, não imune
a oscilação que já não é de ninguém.
e despe-se da hesitação, na volúpia
etérea de um horizonte vertical,
para se deitar na espiral aromática
emocional e material das sensações. 


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1 comentário:

  1. Uma alegoria de sedução e volúpia. Um poema lindo, lindo.
    Bjks
    :)

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