sábado, 13 de fevereiro de 2016

por aqui


aveiro | portugal


germino, suspenso. a ria, apesar das cores
impenetráveis e da sua espessura líquida,
aparenta não ter deixado nada por dizer.

não sei se gostaríamos de ficar por aqui,
assim como eu tanto gosto de estar,
a ouvir os burburinhos densos da água
e, nas suas breves pausas, adivinhar os sons
do rocio a despedir-se do crepúsculo.
ao fundo, um coro de suspiros e gemidos
de palavras, que continuam a reflectir,
mesmo quando as sombras conquistam
o espaço e tomam o pulso ao poema,
é quando arrefece e todos os sentidos
se continuam a despir para as evidências
que os olhos já não conseguem alcançar.
não sei se gostaríamos de ficar por aqui.


 [palavras relacionadas]


1 comentário:

  1. Eu gosto de estar por aqui. :)
    Mais um poema excepcional, do qual quero destacar:
    «[...]
    é quando arrefece e todos os sentidos
    se continuam a despir para as evidências
    que os olhos já não conseguem alcançar.
    [...]»
    É belíssimo!
    Bjks

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