quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

de pedra




há pedras no chão. 
seja qual for a sua matéria: são pedras. 
mas não são apenas pedras, 
não são pedras sós. 
não são só pedras que pisamos, 
são pedras com as quais nos podem alvejar. 
voadoras, mas, ainda assim, pedras. 
podem, as pedras, constituir abrigos 
e ficar dissimuladas, como se o chão 
cresce-se em direcção ao céu, 
suspensas até da sua irreflexão, 
sem o entendermos, como pedras. 
se eu não escrevesse poderia ser uma pedra 
e escrevo-o por pedra ser.


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2 comentários:

  1. Passando, meio fora de horas, mas vendo mais algumas das novidades, por aqui...
    Pois cá está mais um excelente poema, que se impõe e se afirma... ou não fosse de pedra... e cal... o talento de quem o escreve...
    Está fantástico... que as palavras se usem, pois, fazendo parte de um processo libertador, e não como armas de arremesso...
    E como sempre, uma excelente imagem, a par... que também gosto imenso!
    Talvez tivesse só aumentado um pouquinho mais os contrastes, para acentuar um pouco mais ainda as texturas da pedra!
    Bjs
    Ana

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  2. somos.

    todos os versos levam e se deixam moldar. belo demais Henrique.

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