quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

modo


aveiro | portugal



o homem em mim não tem medo: 
compreende a sensação de não 
nos despedirmos o suficiente, 
na anestesia da partida abrupta. 
não é como a intuição de um abraço 
insatisfatório, é o travo do tempo 
exíguo no refúgio da saudade 
antecipada. retalho da história 
entre janelas sem espaço, onde 
o nunca nosso cheiro se funde 
aos silêncios de uma partida. 


 [palavras relacionadas]


4 comentários:

  1. partidas são mesmo assim.
    a foto está muito bem.
    um beijo
    :)

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  2. Aquele buraco no peito...

    Lindo, com sempre. Tudo, foto e poema!

    Beijinhos, Henrique :)

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  3. O ERRO DE QUEM PERDE


    (Poema que está em meu livro "Vai Ficar Tudo Bem")


    O erro de quem perde
    Jamais será chorar pelo que perdeu,
    Pois perder, sempre dói.
    Muito menos será
    Desejar morrer, nos piores momentos,
    Pois quem já não desejou?

    O erro de quem perde,
    Não está em ficar, por algum tempo
    Sem vontade de viver, ou de interagir.
    Afinal, a dor só é realmente vivenciada
    Por aquele que a sente,
    Sendo impossível ser partilhada
    Ou aliviada por outrem.

    O erro de quem perde
    Não é tentar buscar respostas,
    Mesmo sabendo que seja improvável obtê-las
    Nesta existência.
    Pois a natureza humana
    É vaidosa,
    Curiosa,
    E quer saber de tudo.

    O erro de quem perde, afinal,
    É desejar que tudo seja
    Exatamente como antes após uma perda,
    Pois não será.
    O erro de quem perde
    É achar que, trilhando os mesmos caminhos de antes,
    Estará mais próximo de quem se foi.

    O erro de quem perde,
    Está em pensar que poderá recomeçar
    Sem antes chorar todas as lágrimas que precisar chorar,
    E despedir-se...
    E o processo de despedida
    Pode durar muito tempo,
    Um pouco todos os dias,
    E jamais nos despediremos completamente.

    Talvez o certo,
    Seja, ao invés de tentar voltar a ser como antes,
    Descobrir um novo caminho,
    Uma nova maneira de ser
    A partir do que restou,
    Respeitando os vazios, que sempre estarão vazios,
    A ausência, que sempre estará presente.

    Talvez, para quem perde,
    O erro esteja em procurar quem se foi
    Sempre nos mesmos lugares
    Onde jamais estará...
    Ao invés de procurar em novos lugares,
    Criados pela saudade,
    Pela dor,
    Pela própria necessidade de sobreviver.

    E esses lugares,
    Só podem ser alcançados
    Quando aquele que perde
    Olha para dentro de si mesmo.

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  4. E no entanto, há partidas ditadas pelo tempo... que a gente não deixa que partam dentro do peito da gente... e ficamos com a saudade, e as boas memórias, para sempre...
    Um belíssimo poema, combinado com uma fantástica imagem... como é habitual por aqui...
    Nossa!... Há aqui, um montão de posts espectaculares, para eu meter o nariz... amanhã estou off-line, mas no fim de semana, venho colocar por aqui, a minha leitura em dia, sem falta... :-D
    Beijos! Bom fim de semana!
    Ana

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