sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

escuta




Eva não se chamava Eva.
Eva é um nome que se releva.
Eva não vendia o corpo, nem alugava.
Eva vendia ilusões nas ilusões que dava,
mesmo para ela e para a sua comida,
o sustento na desilusão de ganhar a vida.
e, em vida, Eva desejou morrer e pediu a morte,
vezes sem conta, vezes em que não foi forte,
e morreu sem contar, sem querer realmente,
porque, ainda assim, amava os filhos e era gente.
Eva nunca acreditou no destino,
nem às mãos de um tempo assassino.
e morreu Eva, mas não sem luta.
eu, a Eva, a quem chamavam: puta!


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2 comentários:

  1. muito forte!

    a foto ameniza a crueza das palavras, bem rimadas e um poema lúcido e bem construído.

    ;)

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  2. Pois um poema de palavras fortes... até se me ocorreu o titulo de Garcia Marquez... Memórias das minhas putas tristes...
    Pois o que dizer da mais antiga profissão do mundo?... Que certamente o é... para quem faz dela seu sustento e de seus filhos... como foi abordado no poema...
    Não se rouba... não se mata... não se engana... exerce-se... acho que ainda haverá modos de vida mais degradantes... apesar de menos explícitos... menos transparentes... e por isso, um poema bem suportado, com essa imagem de águas límpidas...
    O que dizer mais?... Que é mesmo, um dos meus posts preferidos por aqui...
    Bjs
    Ana

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