terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

para trás


arronches | portugal


na definida indecisão da tua boca, 
no silencioso movimento do teus 
lábios, relembro a urgência incauta. 

duas feridas que se aproximavam. 
como a meia-noite: o fim e o início. 

mostrei-te a minha timidez e vi a tua. 
tocámos as nossas timidezes, receosamente. 
lentamente. curtamente. timidamente. 
tanto quanto a proximidade nos permitia 
e a distância nos impunha. 

pintámo-nos incompletos, por inacabados. 
nunca foi e não é tarde onde se fez tão tarde. 
hoje, o nosso rosto difere dessas pinturas, 
onde já se via o sorriso que nos apazigua. 


 [palavras relacionadas]


1 comentário:

  1. Gosto imenso do poema... mas não sei se deverá ser entendido como um misto de presente e passado... ou presente e futuro... talvez uma memória do passado que se faz presente... ou uma presença, que se deseja transportar para um futuro... e daí uma pintura ainda por acabar...
    Gosto desta indefinição, meio dúbia, que permite diversas interpretações... ao sabor da imaginação...
    E gosto imenso da foto... que se adapta muito bem a uma sucessão de tempo... do presente para o passado... para trás... como uma boa recordação...
    Bjs
    Ana

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