quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

de sonho em sonho





o tempo sonhou-me em flashback, 
sem tempo para lamentos. 

confesso: não faço qualquer sentido. 

não é agradável ver crescer a revolta 
nos muros, na penumbra onde, 
na amnésia dos metros de parede, 
um cortejo de aflitos, igualmente, regam 
os bolores e desgrenham as feras etílicas, 
enfeitiçadas pela premência do caos 
imposto e alimentado pelas feras políticas. 

as feras políticas nunca são gentis. 
constroem muros para nos cercear 
com a ilusão óptica dos sofismas reunidos. 

mas, venho, eu, cegar-te com o meu amor, 
indulgente. e como humidade, para nos regar 
os musgos de felicidade e saciar a escassez. 

se, porventura, de pele colada e de lábios secos, 
encontrarmos o sol, depois de atravessarmos 
a tenebrosa ondulação das sombras da noite, 
será um sonho perfeito na semente da memória. 


 [palavras relacionadas]


1 comentário:

  1. Despojar-nos de sonhos... algo que os nossos políticos, sabem fazer tão bem, e com requintes de malvadez...
    Mais um poema de que gostei imenso... e acho que nem preciso de dizer que a imagem está fabulosa!
    Bjs
    Ana

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