sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Aprestar

     Os elementos recolhidos ainda estão impregnados com a essência da natureza. A difusão de dados decorre paulatinamente, mas está praticamente concluída. Ecoam algumas emoções antigas, imbuídas em sentimentos razoáveis, que se tornam lentas e pesadas pela carga inútil das palavras que transportam. O atributo de um predicado caiu como uma folha caduca.

     Não sou dono dos termos, nem mesmo daqueles que invento ou agrupo. As palavras livres nunca deveriam ser aprisionadas. Deveriam poder ser cumpridas todas as promessas formuladas e manifestadas em liberdade.

     Sou uma variável independente e faço parte de um sumário no assunto de uma conjectura. Dizer que se é diferente, ou que se quer ser diferente, não significa, necessariamente, trocar o género ou gostar de seres do mesmo género, não forçosamente por vergonha, mas, plausível e provavelmente, por opção, e sem o considerar absurdo. Assim como dizer que se está mareado, aturdido ou sóbrio, não significa que se seja ébrio, dopado ou dependente física e/ou psicologicamente de uma substancia tóxica. Mas poderia ser. Ser diferente é uma realidade particular num contexto comum, globalizado, onde todos deveriam ser iguais em direitos e deveres.

     Gosto de páginas intencionalmente deixadas em branco, quando estas fazem sentido e fazem sentido quando lhes experimentamos um vazio premeditado e proveitoso. Agradam-me os silêncios intencionalmente instituídos, quando estes fazem sentido e fazem sentido quando não há mais nada de útil, ou construtivo, a dizer; ou quando estes dizem tudo o que resta dizer. Gosto das analogias de união que algumas linhas me apontam; que algumas pontes me dirigem.

     Diz-se que o poeta é torpe, inútil, fútil. Assim, ser-se poeta é uma constatação de impotência.

     Apenas para mim, parece existir pelo menos uma justiça divina que me pode absolver ou punir.

22 de Dezembro de 2011.

10 comentários:

  1. Mais um espectacular texto. Concordo que se seja diferente, na diferença escolhida, ou até na imposta por circunstâncias várias, mas igual em direitos e deveres como deveria ser.
    E há realmente silêncio e paginas em branco que se tornam mais fortes e importantes no seu estar "vazio" que muitas letras agrupadas sem sentido. Gostei imenso de todo o texto e da mensagem. Beijinho amigo. Noite descansada, bom dia de amanhã.

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  2. Obrigado, Noctívaga! Sempre generosa.
    Boa noite e que tenhas, também, um bom dia amanhã.

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  3. Somos todos muitos iguais, apenas com particularidades diferentes que nos distinguem e nos colocam acima, em cima, ou abaixo de uma linha.
    Uma linha distinta que cada um possui.

    São essas particularidades que nos tornam, ou não, seres especiais.

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  4. [ :D Um pouquinho (pocachinho) de semi-humor mordaz: Abraço, abraço... Parece quase uma campanha de sensibilização.]

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  5. É a época de solidariedade que te recorda a Abraço, mas desvia lá esse semi-humor mordaz que este é mesmo um simples abraço.

    :D

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