sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Folhelho


Alegadamente, nada é da cor que será;
Nada tem o comprimento que teve.
Sou feliz na tristeza menos carregada.
O amanhã num outro presente se verá
E o presente pode ser outra dádiva armadilhada.

Dispenso a dúvida com que sou condecorado,
Penso no lucro de mais um pequeno dia.
Agarro o brilho ilusório de um sentido,
Sem direcção, e rumo para o lado, para onde estou virado,
De pé, vagamente orientado e perdido.

Descubro que a Ilha, e o insular, sou eu.
Sou o Mar, o gasoso, a Natureza e nada,
Levemente pesado e pesadamente leve,
Pronto para livremente partir e ficar;
Com a consciência pesada, de quem nada deve.

O que resta já está estragado e serve,
Num Universo que se destrói e constrói;
Numa revolta pacífica da explosão mansa.
É o gelo que me esquece, que me insulta e ferve,
Na proximidade que me toca mas nunca alcança.

De postura incorrecta, correctamente,
Alongo o fugaz abreviado e breve,
Num rosário de contas sem futuro,
Vindo de um longínquo passado presente,
Em perfume de consistência, de brilho obscuro.

Um sorriso facial, artificial, desenhado.
Engolir em seco e olhar sem olhos.
Bonita? Não avalio a grandeza da ira,
Nem a ira da grandeza do abandonado,
Encontrada pela carência sem mira.

Duplicam-se e dividem-se os sentidos,
Num retorno, sem volta, completo.
O que importa está do lado de cá,
O lado dos pacientes e dos destemidos,
Com impaciências e medos, agarrados ao que há e não há.


6 comentários:

  1. O abstracto...

    É assim que leio este teu post.

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  2. Eu agradeço a leitura e a visita, Sol.
    [;)]

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  3. Não agradeças, faço-o com gosto.

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  4. Noctívaga02/12/11, 14:40

    Olá! Tanto sentido, tanto ressentido, ultrapassado e não esquecido. Tantos "sentir" que não se quer e se sentem. Talvez não o tenha interpretado bem se for o caso perdão... Um beijinho grande e um dia bom.

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  5. Olá, Noctívaga! Nada a perdoar.
    Obrigado! E um beijinho grande para ti também.

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  6. Olá. Sabes que já me dá vontade de rir quando entro aqui no meu blog para vir ao teu? Umas vezes aparecem-me como actualizações blogues de pessoas muito antigos que já nem me seguem ou sigo e estavam "agregados" a este que "reaproveitei". Eram de outro blog com outro nome que aqui tinha e os vossos que adicionei, já vezes sem conta não me aparecem. Obrigam-me a entrar sempre nos vossos blogues como se andasse a "espreitar" só para ver se vocês já fizeram posts. E uma vez aparecem-me os amigos outras diz que não tenho ninguém adicionado... Torna-se um pouco confuso, mas não será por isso que não venho. E agradeço de coração as tuas visitas tudo o que me dizes e as tuas ideias que partilho e me abrem também novas "estradas" de pensar e de saber estar. Admiro-te muito a sério. Obrigada e desculpa também este testamento, mas é incomodo andar sempre a entrar para ver as actualizações e para poder responde. Obrigada por gostares do que escrevo porque eu adoro ler-te. Abraço grande. Bfsemana.

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