domingo, 13 de março de 2016

despertar


aveiro | portugal


acordámos com as recordações em silêncio,
já tarde, quase tarde. comunicámos calados, 
com a linguagem ancestral que apreciamos 
reviver, sem locução. gestos que cumprem 
as promessas e que não se deixam demolir; 
que curam a saudade e toleram as súplicas. 
por vezes, são só um abraço ou um só olhar, 
acções de duração e intensidade variável, 
que ocupam sempre um lugar de destaque. 

ficámos a ler a luz de um sorriso permanente, 
enquanto saciávamos o apetite de novidades 
e alimentámos a saudável nostalgia espacial. 
o tempo murmurava profecias de primaveras 
e o jogo continuava, por vezes sem sentido. 
mas como perdê-lo e não o perder, quando 
o nosso abraço e companhia são as palavras? 


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2 comentários:

  1. Enquanto lia, parava várias vezes a fim de olhar a fotografia; o céu ameno, a água plácida, a paisagem calma...

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  2. Um poema lindíssimo... muitíssimo bem harmonizado com a imagem... que completa a voz do poema... com uma igual serenidade... que não se deixa demolir...
    Belíssimo trabalho, Henrique!
    Beijinho
    Ana

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