terça-feira, 1 de março de 2016

fragoso




castelos no mar, no céu … 
a tarde pareceu perpétua, 
num dia imortal. mas não, 
o oportuno nascer da noite 
não amansou a ideia do temporal. 
sintetizou a imprudência latente 
da cidade imaterial, precipitada 
sobre um fevereiro incomum. 

imagino que tenhamos perdido 
a compreensão não verbal, 
o entendimento amplo, múltiplo. 
reconheço a própria fragilidade 
do momento, na exclamação 
duma antiga e extensa certeza: 
identifico a audácia dos termos, 
dos caracteres, dos símbolos, 
e a sua insuficiência científica, 
com a urgência de ser urgente, 
na ânsia de sentir totalmente, 
de abranger completamente. 

como explicar o amor eminente 
inato vivaz iminente de um acto 
que é sensação, sentido e razão, 
se, ainda assim, falta qualquer coisa? 


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3 comentários:

  1. Palavras que denunciam a insuficiência das palavras e o seu difícil acesso, que é o que eu sinto, também. Muito bonito.
    Bjks

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  2. A insuficiência das palavras... para mostrar o que se sente...
    Talvez por isso, o mar, nada diga à praia... apenas a abraça... vezes sem fim...
    Poema e imagem... super bem conjugados!
    Belíssimo post, como sempre!...
    Beijos
    Ana

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