sexta-feira, 24 de junho de 2016

algumas formas




o acaso da invenção da palavra que inventou 
o corpo possuído pela razão e civilidade, procede, 
por si, à ascensão da compreensão e da transmissão. 
o corpo é todo um habitat de sentimentos analógicos 
onde, por vezes, o receio teme que alguém tome 
para si, palavras que não são de ninguém, conhecedor 
dos danos do hábito de conjecturar no escuro, ou a olhar 
directamente para a luz, ou quando em nuvens vagas. 
coisas que o humor mais descomplexado aprecia, 
com lances de mordacidade entre as suturas morais. 
qualquer corpo sabe que a palavra é insuficiente, 
e que, curiosamente, é a palavra que é quase imortal 
e, enquanto vive, a palavra pode voltar sob outras formas 
para ensombrar ou deleitar muitas e outras vidas. 


 [elipse]


1 comentário:

  1. A duplicidade da palavra. Redentora ou mortal.

    Beijos, Henrique :)

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