quarta-feira, 29 de junho de 2016

supostamente


salinas (junto à cidade de aveiro | portugal)


deambulo do marachão para as marachas 
e um poema vibra com uma ligação salina. 
de fora para dentro, sinto o hálito frio do oceano 
que a ria propaga nos meus braços de verão. 
braços que recobram da forma do inverno 
que a zelosa primavera não ousou tocar. 
mas tudo parece responder a uma admirável 
ordem inquestionável, como que perfeita, 
enquanto descubro que não gosto de escrever 
e quando mais se torna irremediável fazê-lo. 
o céu parece curvar no horizonte. entorta a luz 
e o futuro, que ainda rasam a pele de um sorriso 
rasgado, debruçado sobre o papel espelho. 


 [elipse]


1 comentário:

  1. E contudo... o teu não gosto pela escrita... proporciona-nos poesias maravilhosas... pelo que será mesmo imperioso, que o continues a fazer...
    Supostamente... mais um poema extraordinário, por aqui, com um toque de confissão... e confirma-se! É mesmo... :-D
    Beijos! Boa semana!
    Ana

    ResponderEliminar