sexta-feira, 3 de junho de 2016

da zona íntima do poema


aveiro | portugal


adormeci, por fim, bem tarde na noite, a ria, que ainda rezava 
ave-marias de maio, com junho a traçar infinitos elípticos 
nas janelas receosas das margens do relógio que arrasta 
os minutos, num fim de pilha que se prolonga distraidamente 
na zona pública do poema. uns aparentes longínquos rumores 
de Beethoven, tentam, provável, devotada e rapidamente, 
recuperar, a pulso, esse perdido tempo, numas trifusas 
que os meus dedos já não tentam alcançar. insuficiência. 
ensino a minha alma a não temer o escuro. nada vai ser fácil. 
nunca o foi. 


 [elipse]


1 comentário:

  1. E o escuro... envia-nos os sonhos... para que pensemos, que o que nunca será fácil... possa pelo menos, ser possível, um dia...
    Um poema tão brilhante, quanto a imagem!... Com uma iluminação e reflexos lindíssimos... transbordando serenidade...
    Bjs
    Ana

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