segunda-feira, 6 de junho de 2016

enquanto a praia floresce


farol de aveiro, praia da barra - ílhavo | aveiro | portugal


enquanto a praia floresce em elipses inertes 
e o dia ameaça esvair-se num breve arrepio, 
há uma pobreza que tem fé no futuro 
e medo de não ter a audácia para o fazer. 

é a alma que mais receia perder o corpo 
e o corpo que menos teme perder a alma. 
o mês move-se com o à-vontade do indiferente 
e com os mesmos lugares-comuns da utopia. 

um longo e justo abraço, para esmagar a dor, 
para conjurar a serenidade da confusão da vida. 
uma forma primitiva, mas eficaz, de abranger. 

um resquício de algo verdadeiramente criador, 
que surge como que por um desejo extenso 
e indelével, de reconhecimento ancestral. 


 [elipse]


1 comentário:

  1. E talvez por isso, a praia precise de tantos abraços do mar... para continuar a florescer... mesmo em dias mais cinzentos... como nos mostra a imagem... para não perder a fé no futuro...
    Belíssimo poema!
    Bjs
    Ana

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