domingo, 5 de junho de 2016

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aveiro | portugal


por vezes o céu não tem tempo de beber todos os lamentos 
e eles caem indiscriminadamente sobre a terra ou sobre tudo 
aquilo que se lhes interponha, com a habitual indelicadeza 
do que está em cima e que julga devida ao que está abaixo. 
coisas que nos fazem crer que fazemos parte de qualquer coisa. 
e, numa sensação de desmoronamento, mais do que um sentimento 
de perda, abraça-se o vazio do firmamento que em nós habita 
e toma-se caminho, ou trabalha-se obstinadamente numa fábrica 
de ilusões. 


 [elipse]


2 comentários:

  1. [até que
    todas
    as coisas
    sejam
    mudas]


    abç

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  2. E é a fábrica das ilusões... que nos faz aguentar o vazio de qualquer firmamento...
    Pelo que há que investir nela obstinadamente...
    Bjs
    Ana

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