terça-feira, 10 de maio de 2016

tu estás


aveiro [rossio] | portugal


tu estás lentamente em mim, 
como a subtileza da ausência convencionada. 
há palavras por dizer, que caem como as folhas 
da vegetação. levam consigo um certo silêncio, 
que traz à tona uma imagem cansada e dorida, 
e a fragilidade da cidade à margem dos canais. 

hoje, não há quem varra as palavras do jardim. 
por isso, há um espaço inquietante no silêncio; 
um limbo em que os afectos se amalgamam; 
uma lembrança esquiva, sem contexto e imprecisa; 
uma esperança furtiva de aprendizagem volúvel. 
um fragmento de silêncio que magoa, levemente, 
com a sua parte mais luminosa. mas, não há tristeza, 
em mim, onde continuas, demoradamente. 


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1 comentário:

  1. Lá estou eu outra vez... se se juntasse a primeira linha do poema... com a última... obter-se-ia uma sensual e belíssima definição de amor... que me apeteceria fanar também daqui... o que já seria um abuso, certamente...
    Beijos! E amanhã virei espreitar mais alguns posts... Se não cumprir... segunda feira, sem falta, pela fresquinha da noite...
    Bom domingo!
    Ana

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