quinta-feira, 5 de maio de 2016

um aparte relacionado


aveiro | portugal


a sede ganha forma de raiz 
de planta sôfrega e inconsolável, 
onde se abriga a vontade. 

os átomos observam, 
com ternura, todo o enredo, 
resumido e aligeirado: 
castelos de vapor de água, 
poemas perfeitos, 
que os longos dedos 
do vento moldam, 
caem, no estado líquido, 
como lábios sobre a pele, 
terra sôfrega, cama desfeita. 

para alguns, são, apenas, nuvens 
cinzentas; chuva, chão e ervas, 
molhados. para outros é o amor; 
destes, uma parte, vê e sente 
que o amor está em todo o lado 
e crêem ser, o amor, o deus 
omnipresente. 

eu sou erva, água, terra, 
e sonhos clandestinos. 
e pouco sei destas coisas. 


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1 comentário:

  1. Só hoje deu para passar por aqui, afinal... e fiquei rendida, a mais um dos teus poemas...
    Como é que um pequeno poema, consegue passar tantas emoções, e intensidade?... É fantástico!...
    E a imagem, não se poderia adequar melhor...
    E agora... espreitando algumas das últimas novidades, por aqui...
    Beijos! Bom fim de semana!
    Ana

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