sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

densidade





poderíamos acontecer, como quem relaciona palavras; 
libertar a ânsia de anoitecer numa onda hesitante 
que ascende nas rochas das distâncias e demoras; 
suceder na secreta magia dos sussurros ao ouvido 

que se funde na respiração e entrega, em pequenos 
e suaves beijos, os recados de um poema íntimo; 
respirar as fragrâncias do corpo entregue as carícias 
morosas, que mantêm despertos todos sentidos; 

experienciar o torpor de ficar zonzo nas múltiplas 
e simultâneas sensações em turbilhão, no verso 
e reverso da pele abandonada ao amparo dos gestos, 

onde se inventa a própria neblina, barreira inibidora 
das coisas invisíveis que nos sepultam o amor. 
poderíamos acontecer porque, é essa a nossa vontade. 



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3 comentários:

  1. um soneto com fragrâncias de sensualidade escondida...
    bom fim de semana.
    beijinhos

    :)

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  2. De incendiar o céu e a terra! Janeiro ao rubro! :)
    Fascinada com os teus poemas, não tenho encontrado forma de comentar, para além do óbvio que é dizer que gosto e muito.
    Bjks

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  3. Adorei este acontecer... em palavras e imagem... neste mar de céu e emoções...
    Sublime!
    Bjs
    Ana

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