quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

molhe


Barra - Gafanha da Nazaré
Barra - Gafanha da Nazaré - Ílhavo [Aveiro]


o poema é, agora, uma pedra 
numa nova zona de rebentação, 
fragmento de um molhe vazio, 
onde a turba de águas despoja a sua fé 
e compõe uma melodia cadente, 
ao som da qual o vento dança. 
e dança com tudo e com todos 
os que encontra à sua passagem. 

já não sou um estranho ruidoso, 
cheio de palavras desconhecidas 
e de interrogações abundantes. 
o mar aproxima-se e fala de nós, 
tão perto que parece abraçar-me, 
em gestos disfarçados pela sombra. 
todos o vêem, ninguém acredita 
e o tempo não o pode contar. 

mas gosto de estar aqui, onde não sei 
se sou eu que salvo as palavras ou se 
serão as palavras a salvar-me. 


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1 comentário:

  1. Os poetas sempre se salvam, porque conseguiram salvar as palavras... as palavras certas! Das suas certezas ou interrogações... conseguiram transformá-las em verdades iluminadas...
    Mais um post fantástico!!! Imagem de uma turbulência perfeita... conjugada com a terra firme... das tuas palavras!
    Adorei!
    Bjs
    Ana

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