segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

mercê


aveiro | portugal


o fascínio vem sempre no interregno 
e é no interregno que vem as recriações. 

temo que todos os gestos possuam ardis 
mas, reescrever-me-ia em poemas de gestos 
intransmissíveis: actos de inclusão. 

publicar-me-ia na tua pele, benigno, 
indelével, em carícias suaves, ao de leve. 
mas também intenso, agradavelmente, 
na flagrância das sensações. 

abro o ar, no escuro, e avanço. 
os meus dedos não te sentem, 
distinguem a voluptuosidade da brisa. 

a ria encosta-se ao meu ouvido. 
alusões líquidas num insondável afago, 
dimanação de delírios transparentes. 

cresço na espera, prematuramente. 


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1 comentário:

  1. Só nos interregnos temos a capacidade de nos incluirmos dentro deles... na restante parte do tempo, muitas vezes, sentimo-nos à margem das circunstâncias... que nos levam com elas... sem pedir licença...
    Um belíssimo poema, acompanhado de uma imagem fantástica! Gosto deste ângulo, bem arrojado, que nos mostra a ria, de uma forma menos convencional...
    Beijos! Boa semana!
    Ana

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