domingo, 17 de janeiro de 2016

inverno


aveiro | portugal


na cortesia de corpo sensível e acessível, 
a extravagante alegria efusiva de estar 
educadamente só. alcançou-me, nessa 
condição, o inverno, que se veste 
elegantemente, mas nunca o suficiente. 
sinto-o como ele é: gélido e imprevisível, 
mas comunicativo, também, e confidente. 
e eu, tímido, num corpo experimentado, 
aparentemente intransmissível, queria 
falar da felicidade e da geração desistente. 
eu era todo poesia e o inverno só queria 
chover e arrefecer. 


 [palavras relacionadas]




1 comentário:

  1. Que o Inverno nos arrefeça por fora... sem lhe darmos o prazer de nos conseguir arrefecer por dentro...
    Mais um texto muitíssimo bem construído... e a imagem está espectacular... com essa ilusória divisão a meio do reflexo do vidro...
    Bjs
    Ana

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