terça-feira, 12 de janeiro de 2016

na praça


aveiro
[praça doutor joaquim de melo freitas] aveiro - portugal


sentado numa margem da margem da praça, 
observo, por entre os intervalos das palavras. 
por aqui, na praça, deambulam personagens 
conhecidos, entre turistas e outros transeuntes, 
em contornos de outras palavras inacabadas. 
o vento arrojou-se ao chão do homem a remos, 
que aguardava, opaco, no nevoeiro existencial 
de pó de memórias, o amor-próprio e um monarca 
apalavrado. o mesmo chão que investiga a senhora 
que fala para ele, chão, e que lhe procura uma 
qualquer coisa sem fim, fervorosa, todos os dias. 
ou talvez procure todas as coisas necessárias 
à sua vida, que se vai perdendo numa bruma 
que também vejo em mim, enquanto o céu cai, 
tenaz, no chão que é, agora, meu


 [palavras relacionadas]


2 comentários:

  1. Neste novo ano estou a tentar visitar todos os amigos da Verdade Em Poesia afim de lhes desejar um 2016 muito feliz cheio de grandes vitórias e muita saúde e Paz.
    António.
    Ps. Tive de seguir novamente pois estava a seguir sem foto.

    ResponderEliminar
  2. Passamos a vida olhando para baixo, para o chão... como se todas as soluções se encontrassem nele... é verdade! Muitas vezes a vida faz-nos o nosso céu cair... cá por dentro... quando ele afinal continua no mesmo lugar... nós é que nos esquecemos de olhar para ele...
    Adorei o enquadramento da imagem, pena a base ter ficado um pouquinho cortada... mas até pode ter havido alguma razão para tal...
    E adorei o poema, pois claro!... Gosto imenso da forma como escreves... de uma forma despretensiosa, muito clara, e muito bonita! Aprecio imenso!
    Beijinho
    Ana

    ResponderEliminar