quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Breviário [XIV]


     Afinal, a vespa, não passava de uma mosca metediça e empertigada com o início do frio e eu tranquilo, sem armadilhas, sem ardis, sem pressas e sem destinatário.

     Não são recados. O sobressalto: Sim, subsiste modelado em conjuntos de letras, as palavras que desenho e pinto.

     Sinto-me pronto a partir e pronto a chegar. Nauseado, também, rodeado por quatro elementos em quatro estações; quatro pilares em quatro cantos; quatro ginetes de quatro costados; quatro tempos em quatro luas. Mas não nutro a cobiça, só, pontualmente, a preguiça, no evitar do esforço, e afectos de sentimento frontal.


8 comentários:

  1. Hummm... Estou com dificuldades em intrepretar estas linhas.

    Prendo-me no inicio e ofereço-te um mata-moscas, prendo-me no fim e falaria-te sobre os afectos e a importância de os sentir. Prendo-me no meio e pediria-te que me falasses dele, do teu olhar sobre as tuas próprias palavras.

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  2. Muito, muito resumidamente (mas com toda a objectividade), são linhas de urgência e de escolha múltipla.

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  3. Urgência e escolha múltipla não combina. Opta-se sempre pela errada...

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  4. O teu raciocínio está correcto, nesse contexto, mas, impõe-se que explique melhor. Um resumo, ainda assim.

    Primeiro a constatação de que nem tudo é o que parece. Na “urgência” do dia-a-dia efectuamos, muitas vezes sem maldade e naturalmente, por vários meios e formas, juízos de valor, ou observações, com base no que apreendemos e por traços que aparentam ser únicos e qualificadores inequívocos mas que nos induzem em erro, ignorando outros, por vezes, até, mais evidentes.

    Depois, a “urgência” da confirmação de que, apesar das aparências ou da sensação, não se pretende visar alguém. Segue-se a “urgência” da comunicação da continuidade da agitação imprevista, limitada e apoucada pela exiguidade das palavras sujeitas às diversas interpretações e que remetem para a constatação inicial.
    “Urgências” de comunicação e de desambiguação, próximas do carácter “terapêutico”.

    Por fim uma última e longa “urgência” composta por outras “urgências”, em estado de alerta e prontidão, que mareia, repleta de imagens, metáforas… E que se servem do número quatro, maioritariamente em quatro situações ou cenários, como figurações da multiplicidade e escolhas (só a leitura deste trecho contêm vários parágrafos de análise e interpretação, pela multiplicidade de informação contida – ginetes aponta para cavaleiros, mas ginete tem outros significados, que se reforçam ou se diluem nos “quatro costados”, por exemplo), a remeter, subliminarmente, para a constatação inicial. A finalizar o parágrafo, uma última “urgência” de desambiguação multi-informativa e formativa, decorrente, não só, da espiral produzida pelo texto e seu conteúdo mas, também, por uma necessidade intrínseca de complementaridade e partilha.

    No fundo, linhas de “urgência” e de “escolha múltipla” porque, figuram várias necessidades imediatas, pressa e aperto ficcionadas, não redutoras, e que apontam para uma pluralidade de significações que podem passar despercebidas e que se alongam no tempo e dependem deste e do estado de humor, espírito e paciência para a sua percepção. Sem perder de vista, e com apontadores para, a constatação de abertura; sem a pretensão (e/ou o sentimento de necessidade) de ser, eu, o foco; sem ser pedante, apenas o agente que medita, produz e redige.

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  5. Espera, espera, espera...

    Isto exige um dicionário e muita atenção a ler todas as nuances contidas.

    Vou ler bem, e só depois respondo!

    ;)

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  6. É certo que todas as analises que fazemos diariamente são unilaterais, não só pelos nossos juízos de valor mas também pelo não divulgação da sua totalidade. (quando apenas se mostra metade, não se consegue ver por inteiro).

    Compreendo, e muitas vezes sinto essa (ou outra similar) urgência de confirmação a tudo o que nos parece incerto, para não ver apenas aquilo que queríamos ver. Conhecimento do real.

    Urgências de conhecer, de reconhecer outro como igual. Também medo de avançar. De se desiludir.

    Interpretação (re)conhecida.

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