quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sopro


Sopro

Amarro o amuo,
Deixo passar a brisa da indiferença;
O desinteresse pode ser crença.

Olha-me como, quando e quanto queiras.
A partida é a mesma, serena ou atormentada,
A passagem é igual e com barreiras.
O desconhecido não conhece a divisa da chagada.

Seguro a particularidade,
A gavinha que me prende desde a nascença.
A crença pode ser liberdade de indiferença.

A atitude que tarda perde a pose.
A refeição que não se come,
É um ponto sem nó, que me cose,
Apreende um sorvo ou suspiro que tome.

A exclamação em tom de protesto,
Grito abafado pela inércia e apatia,
Ficou destinada a outro, e melhor, dia.

A rima batida, escrava procedente
De um dito popular e democrático,
Cresce na prosa trôpega e crente
Do parco despacho e recurso prático.

Lei, e se tudo for um despojo, ou conjunto, vazio
Ou, ainda, quando muito, um astuto lampejo
De um desgarrado, particular e banal desejo?

Sem temor, indisposto na disposição de calar,
Demoro o silêncio que for necessário
Para que se aclare a arrumação do esgar.
Em defesa acolho, não escolho, o subsistir precário.

Mas esqueçam, não vou ficar prisioneiro
De uma consonância que não é minha,
Agarrado a uma glória que se perde numa entrelinha.


10 comentários:

  1. Como conseguir não ficar prisioneiro?

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  2. "Prisioneiro" tem vários significados e a acção pode ocorrer por várias situações, predefinidas ou imponderáveis. O "prisioneiro", em questão, não o é, ou não o será, pela manutenção, consciencialização e focalização daquilo que é de facto importante, no contexto e para a circunstância, e é atingível pelo respeito dos seus princípios e em livre-arbítrio, até porque não é "prisioneiro" quem não se sente "prisioneiro".

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  3. Olá e cá estou. Ler-te é realmente um imperativo. Começo a ficar uma prisioneira voluntária da tua escrita da tua forma de te expores e a tudo o que te rodeia, te distrai te mói e te dá esta maravilhosa forma de te exprimires. Obrigado e também pelo que disseste no meu blog...Ainda bem que não sou vaidosa :) pelo contrário estou sempre a "deitar-me" abaixo e sabe tão bem saber que valho alguma coisa. Não sou cínica é a pura verdade. Nem no que digo sobre como escreves, que sinto verdadeiramente, nem como me "pinto"...Algo esborratado. Uma beijoca e boa noite.

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  4. Ainda sobre isto... Prisioneiro.
    Estava aqui a pensar (ainda não achei o botão e como não disseste nada presumo que também não o tenhas achado) e...

    Eu só sei que nada sei, ou só sei aquilo que sinto, e o que sinto não é que te manténs prisioneiro, mas que te prendes muito. Retrais-te.
    Essa prisão pode ser mesmo pela tua paz que não queres debilitar, por aquilo que já vivenciaste, pelo receio, ou até pelo amadurecimento que os anos que nos separam te deram, mas confesso que gostava de "ver" o tugazzar mais "solto", que confiasse mais.

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  5. Olá, Verniz Negro!
    Eu é que agradeço. Ficas cansada não tarda, a minha escrita cansa as pessoas.
    Um beijinho

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  6. Olá, 2linhas!
    Já te tinha “visto”, mas não me foi oportuno interagir, comunicativamente.
    Não encontrei o dito botão, com muita pena minha…
    ;)
    Tugazzar é só um nome que se me acrescenta porque, eu sou o Tugazzar. Eu não posso ser mais solto, por todos os motivos que escreveste e por mais alguns, que são imperativos. É, acima de tudo e de facto, uma questão de paz e de urgência. Vivo com isso e tenho isso resolvido, com muito trabalho e autocontrolo.
    O Tugazzar é fácil de encontrar e de identificar; é acessível; tem muito poucas certezas; é prestativo; tem consciência de que não se conhece verdadeiramente ninguém; é sincero; tem sentimentos, afeições; é sociável; tem amigos; é um ser humano simples… Tem reservas, não por querer ocultar, não porque tenha feito, ou esteja a fazer, algo de errado mas, por conhecimento e discernimento. Embora pudesse escrever um livro (inútil, estéril e sem qualquer tipo ou espécie de interesse, mas, ainda assim, repleto de palavras, uma verborreia), é (sou) um livro incompleto (como qualquer outro), aberto, sim, mas, que necessita de ser folheado num ritmo próprio e que já alguns quiseram desfolhar.
    Entendo-te o que sentes, não estás errada e é justo, como eu o sou e sinto.
    Um beijinho.

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  7. *[...]entendo o que sentes[...]

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  8. :)

    Tudo dito, lido e aceite.

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