segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O que tem pouco


Separo-me da hipocrisia, cuidadosamente.
Absorvo o ar mais fresco do fim da tarde,
(Refreio de um peito, macerado, que arde)
Fecho as angústias e planto um sorriso decente.

Hoje, talvez seja aceite e entre no rol de “gente”;
Talvez o meu rubor, intenso, não provoque alarde,
Espero que não me descrimine, mascare ou farde.
Espero, sentado, numa estrelada esperança cadente.

Palavras caras são as que não deveria ter pronunciado;
São aquelas que não redigi e as que deveria ter pintado.
Palavras são palavras, mesmo as silenciadas e as invisíveis.

Não sou um ser perfeito, puro, inocente, ou alado.
Separo-me do fingimento dos outros para, no meu, não ser encontrado.
Encontro-me no sofrimento das coisas e das palavras impossíveis.

13 de Dezembro de 2008

Ter a ver!

4 comentários:

  1. Passei para te desejar boa noite. Li e também na minha total imperfeição e impureza, de ser falho como sou, deixo-te o meu aplauso pelo poema...Um beijinho e até amanhã.

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  2. Sê tu mesmo apenas. Isso é o suficiente. Tem de ser.

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  3. Sem mais palavras: Um sincero obrigado, Noctívaga!

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  4. Creio que sim, Sol. Obrigado!

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